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     No fim do século XIX três grandes países da América abriram as portas a milhões de Italianos: Estados Unidos, Brasil e Argentina.
     A propaganda das maravilhosas terras de além mar entusiasmou os imigrantes. Jornais que circulavam no norte da Itália publicavam que havia um país na América do Sul que estava querendo colonizar vastas extensões de terra fertilíssimas. Como seriam tratados durante a viagem? Que favores e facilidades o governo brasileiro daria aos imigrantes? Falava-se em: alimentação por um prazo de seis meses, casa, 25 hectares de terra, ferramentas e sementes, por preço acessível, tornando-se os compradores proprietários absolutos iguais aos barões e condes italianos. Um verdadeiro paraíso: O clima era igual ao da Itália, sem neve e com muitos rios, (não necessitando a terra de adubo e irrigação), país era vastíssimo, (vinte vezes maior que a Itália), uma nação católica.
     Iniciava a aventura no porto de Gênova em direção ao Estreito de Gibraltar, (onde ao longe enxergavam cidades do Mediterrâneo, da França, da Espanha e terras da África), até o porto do Golfo de Cádiz, na Espanha. Este trajeto durava os cinco primeiros dias da viagem. Nessa cidade era feito o primeiro reabastecimento de carvão, água, vinho e azeite. Mais alguns dias de viagem passavam pelas ilhas Canárias. Uma nova parada, nas ilhas de Cabo Verde, nova reabastecimento.
     A viagem transformava-se em pesadelo, pois a bordo não havia sem médicos, sem o mínimo de higiene, transportando junto com o povo italiano, nos porões dos navios animais (porcos, bois, galinhas, cabras) que seriam abatidos durante a viagem para alimentação. Tinha que ser assim, pois não havia outra maneira de conservar a carne.
     Essa travessia do Oceano Atlântico foi uma penosa aventura que perdurou 35 dias, quando não enfrentavam tempestades que muitas vezes os desviavam da rota. O navio em que nossos ancestrais viajavam chamava-se Righi.
     Sabe-se também que a totalidade dos imigrantes italianos vindos para o Brasil eram analfabetos, porque o governo da península, por falta de recursos econômicos e também por desleixo, pouco se preocupava com a instrução. Os colonos na Itália também não dispunham de meios para se escolarizarem. O que valia era o princípio dos latinos: “primeiro procurar viver, depois, se for possível, ser instruído”. A grande maioria dos italianos, ao chegarem à América não viu o fim, mas o aumento das privações.
     No ano 1876, o Governo Imperial de Dom Pedro II D’Alcântara abria uma imigração gratuita pelas quase 22 Províncias formadas no Império do Brasil. Foi quando na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, uma das mais antigas comparada com as do norte, desenvolveu-se também a imigração em massa com a vinda de grande número de imigrantes vênetos para a região, atraídos pelo clima e fertilidade do solo. Para que isto acontecesse, o Governo Imperial preparou quatro colônias, sendo elas: “Conde D’Eu” hoje GARIBALDI, “Dona Isabel” hoje BENTO GONÇALVES, (“que eram nomes do genro e da filha do Imperador Dom Pedro II.) No mesmo ano criou uma terceira, Fundos de Nova Palmira, hoje CAXIAS DO SUL e mais tarde SILVEIRA MARTINS.
     O navio Righi chegou ao Brasil em 20 de abril de 1878, na Ilha das Flores, no estado do Rio de Janeiro, onde era feito o registro e o remanejo dos grupos e para qual província seriam destinados.Por ocasião desta espera os emigrantes tinham a permissão de estar à vontade. Muito sábio o Governo Imperial encaminhava para o Rio Grande do Sul os imigrantes vindos do norte e nordeste da Itália, pois a topografia e clima eram muito parecidos.
     Para a 4ª (Quarta) colônia, vieram 4 expedições, sendo a 4ª expedição, com nossos ancestrais, a maior de todas, que era liderada por Paolo Bortoluzzi. Passados alguns dias, embarcaram e seguiram em direção a Santos, Florianópolis e finalmente ao porto de Rio Grande, naquela época província de São Pedro do Rio Grande do Sul. A maioria deles eram Vênetos, provenientes da cidade de ODERZO, província de TREVISO, lugar denominado de PIAVON, da região do VÊNETO, norte da Itália, de onde se originou a grande geração da família BORTOLUZZI. Gente desbravadora que buscava lutar e vencer sempre pelo trabalho mais uma vez contava vitória pelo esforço, pelo empenho e persistência na busca de seus objetivos.
     Na cidade de Rio Grande foram colocados em navios menores, fluviais, nos quais subiram pela Lagoa dos Patos, de águas claras e margens rasas, até Porto Alegre. Lá ficaram acomodados em galpões armados cobertos de zinco, na Praça da Harmonia, enquanto aguardavam a liberação de documentos e instruções para a transferência. Local onde passaram muito frio e fome em plena miséria. Por ocasião deste tempo de espera, aproveitaram para conhecer a cidade, sendo o que mais impressionava era a fartura de carne, verduras e frutas, principalmente bananas e melancias.

 
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